sexta-feira, 28 de março de 2008
and the truth shall set you free
finalmente acabou. e esse alívio é por finalmente perceber que a maior vítima não fui eu, nem você. a maior vítima disso tudo foi o nosso amor, que sempre foi verdadeiro, sincero e honesto. ao contrário dos seus criadores, que desperdiçaram esse dom incrível com todo o resto.
não sabemos lidar com a verdade, mas a usamos muito bem como ponto final.
sinto muito. pela dor que eu causei em você. e pela dor que eu causei em mim.
quarta-feira, 26 de março de 2008
you’ve got mail
hoje você me mandou um email, o mesmo email de sempre, eu devo ter recebido no mínimo uns trinta desses, senão iguais, muito parecidos. duas ou três palavras, no máximo uma frase. o que aconteceu com você? ou será que o problema sou eu? me transformei numa maníaca exigente, dessas que só se sensibilizam com um calhamaço de folhas pautadas, escritas com caneta bic duas cores e nem percebi? só sei que suas palavras nunca mais tiveram efeito algum sobre mim, são como um spam, um pop up que insiste em não ser bloqueado, elas estão quase sempre ali e mesmo não tendo motivo algum, eu sempre clico, vai que dessa vez, quem sabe dessa vez ,eu realmente encontre a grande oportunidade que irá mudar a minha vida, emagreça sem fazer esforço ou aprenda inglês dormindo?
love songs are back again
o amor é cafona. a dor de amor mais ainda. é uma sucessão sem limites de apertos no botão do repeat . é praticamente um ritual, impossível superar a dor da perda de um amor sem um bonjovizinho pra embalar as lágrimas mornas. e ainda mais difícil é reler o que eu escrevo e não dar uma soluçada, de vergonha por ser tão babaca e de tristeza por ver minha frustração materializada nessa telinha retangular. vou ali ouvir que nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia mais uma vez e já volto.
esse eme esse
por que sempre que eu não respondo o primeiro, você manda o segundo? e por que diabos sempre que eu respondo o primeiro e o segundo, você não manda o terceiro?
“já tem outro, má, é isso?”
não é isso, nem perto disso. não tenho outro porque ainda tenho você. como eu posso superar toda essa merda e continuar, se você não deixa nem o meu sofrimento doer por completo? ambos notamos que o bilhete era só de ida e mesmo assim ninguém olhou pra trás? ok, talvez eu tenha dado uma espiada, uma viradela de pescoço, só pra ter a certeza de que eu estava realmente sozinha até na indecisão. você me perdeu, aí do seu lado, e eu me perdi junto, aqui do meu. não tenho outro porque estou sozinha, mais sozinha do que nunca. eu não tenho nem mais eu mesma. a penúltima coisa que eu quero agora é outro, a última é você.
I can’t write a love post the way I feel today
sinto sua falta. e minha falta também. eu sinto tanta falta, só não sei mais de quem.
“minha maior vontade é de ter você em meus braços, má”
será que um dia você vai entender que receber uma mensagem sua às 5h51 de uma segunda-feira não ajuda em nada, nada mesmo? e que isso só serve para reforçar ainda mais a minha teoria de que você habita uma realidade paralela, onde as responsabilidades de um dia e de uma vida seguintes podem ser sempre deixadas para depois do meio dia? ao mesmo tempo admiro seu faro, seu sexto sentido, que parece rastrear no ar quando eu começo a respirar mais fundo e acreditar que tudo vai acabar. bem e sem você. no exato instante em que consigo esboçar um meio sorriso, sem lembrar ao menos uma vez do quanto estou sozinha, triste e desanimada, o seu alarme dispara e você sente essa necessidade de afirmar que ainda faz parte da minha vida e que não vai desistir assim tão fácil desse amor que deixou de existir faz muito tempo, mesmo que seja só com uma mensagem na madrugada de uma segunda-feira qualquer.
the good, the bad and the cheese (o nome da galinha era pretinha).
queria fazer uma lista de tudo que passamos, bom e ruim, para que um dia eu pudesse ler com calma e entender o que realmente aconteceu. e quem sabe, com o tempo, eu começasse a ver que ainda te amava e que valeria a pena insistir nesse sentimento que quase me fez tão completa e feliz. o problema é que as lembranças ruins sempre ficam melhores de quepe e leme na mão. mas não hoje, dane-se o capitão, o barco é meu e agora eu só quero lembrar das coisas boas, as que me fazem sofrer de verdade. aquelas que eu venho tentando esconder lá no porão e, às vezes, até apagar com o lado azul da borracha. memórias daqueles dias em que eu me sentia magra vestindo uma calça 44, dias em que tomar um suco de laranja com você na padaria resumiam tudo o que eu sentia. dias que viravam noite e no instante seguinte, amanheciam. sabe quanto tempo alguém não me faz rir de verdade? desde aquela noite que era dia, no seu carro, comendo um pão de queijo caído na calçada mais limpa que eu jurei ter visto na vida, eu nunca mais fui feliz realmente depois daquele dia. é ali que acaba pra mim. depois disso eu não lembro mais de nada. nada de bom, pelo menos. como é possível te conhecer à quase quatro anos e só de lembrar de ter sido feliz durante quatro dias? e o que machuca mais é que foram os quatro dias mais felizes da minha vida. eu daria todos esses outros quase quatro anos para ter de volta esses dias , mesmo que só por quatro minutos, mesmo que eles passassem tão rápido quanto quatro segundos. a melhor lembrança que eu tenho da gente é um pão de queijo amanhecido. e ele nem era nosso.
deixar você ir
eu não gosto dessa lembrança constante das pequenas coisas, tão pequenas que eu já nem lembro mais quais são. como cortes de papel, elas ardem para um caralho mesmo que eu mal consiga ver que estão ali. me esforço tanto para lembrar dos momentos felizes, quase tanto quanto luto pra afastar as fotos, os emails e aquelas verdades duras logo ali. e ainda assim eu sofro, eu sinto falta de ser infeliz ao seu lado. eu me tornei uma louca, como você fazia questão de repetir a cada briga. insistiu tanto e eu acabei acreditando. sou louca por sentir falta de algo que eu nem sei mais o que é, algo que eu nunca vivi. eu sinto falta de tudo o que a gente poderia ser, da discussão sobre o nome do filho que nunca nasceu, da casa que eu nunca arrumei compulsivamente, do almoço de domingo que daria saudades da comida da minha e da sua mãe, do passeio com o nosso cachorro que nunca foi seu. eu sinto falta dessa vontade de sempre querer mais, mesmo tendo praticamente tudo. eu sinto falta de te culpar por essa incerteza quase tão certeira de que eu nunca mais vou ser feliz, com ou sem você. e quando isso acontece, eu ouço as músicas que você não fez pra mim e essa é a pior dor que eu posso sentir, porque as minhas são bem mais tristes e infelizes do que essas. até o seu sofrimento era mais leve e mais feliz antes de mim. there, there, chega das quase-lágrimas rotineiras, a culpa não é minha. a culpa é do carpete, é do ar-condicionado, da máquina nova de café, do chefe que pega no pé e até do nosso cachorro que é só meu. a culpa é da sua barba por fazer, da banda nova, daquela regata que você não usou, da bateria do celular que não carregou e da banda que terminou. a culpa é dos meus e dos seus amigos. da minha mãe, da sua cunhada e até daquela ex, que você jurou nunca ter sido sua namorada. a culpa é de todo mundo. e acima de tudo, a culpa é toda e só minha ao mesmo em que ela é toda e só sua.
