vindo para a mesma agência, pela mesma avenida, ouvindo a mesma música triste, eu experimento exatamente a mesma sensação, que me faz companhia a quase três anos e meio, sendo que nesse período mudei três vezes de agência, assim como de avenida. a única coisa que não muda nunca é essa dor cínica.
eu nem sei se são mesmo três anos e meio, chutei por alto, eu ando tão triste, a tanto tempo, que eu nem lembro mais.
as vezes, de manhã bem cedo, eu peço baixinho para que você encontre um novo amor, similar àquele que você perdeu em algum lugar aqui comigo. isso vai me destruir, com certeza, mas ao menos eu não vou ter que conviver com essa sensação de fracasso, de que nada é o bastante. todo santo dia. e talvez assim, quem sabe, eu tenha algo concreto para começar a reconstruir o muro ao meu redor, que você quebrou quando chegou. nada rejunta melhor do que uma boa porção de dor.
quando eu venho pro trabalho, eu abro bem a janela pra sentir algo, nem que seja só o vento na cara. meu cabelo embaraçado é o máximo que eu consigo sentir em mais ou menos três anos e meio.
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